“É livre a manifestação do pensamento e da expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, sendo vedado o anonimato. (CF 88).”

14 de out de 2010

Dilma, no governo gaúcho e depois na RBS, trabalhou por privatização?


14/10/2010 às 19:27 \ Política & Cia
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/quem-diria-dilma-no-governo-gaucho-e-depois-na-rbs-trabalhou-por-privatizacao/

Deixando claro, claríssimo, como tenho deixado neste blog, que sou A FAVOR de privatizações, faço questão de reproduzir aqui nota do blog do jornalista Políbio Braga, de Porto Alegre, profundo conhecedor do assunto, mostrando como a presidenciável Dilma Rousseff trabalhou, nos anos 90, dentro do governo e, depois, dentro da poderosa rede de comunicações RBS, para privatizar a estatal estadual Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT).

Repito: sou a favor das privatizações. E Polibio mostra, em seu blog, que Dilma — que hoje “acusa” o tucano José Serra de ser pró-privatizações, como se isso fosse um crime — já foi, e como!
Lá vai o post:
“Exclusivo: Saiba como Dilma Rousseff ajudou a privatizar a CRT no RS
Bem ao contrário do que trombeteiam seus programas eleitorais na TV, a candidata do PT a presidente, Dilma Roussef, trabalhou durante toda a sua primeira administração como secretária gaúcha das Minas e Energia (1/12/1993 a 2/1/1995) no governo do PDT,  para privatizar a CRT, a Companhia Riograndense de Telecomunicações.
Quando saiu do governo, foi contratada pela RBS para ajudar a conceber a aliança com a Telefônica de Espanha para privatizar a CRT.
* Durante o governo do PDT, que foi de 1991 a 1994, a mando de Dilma Roussef, seu então subordinado, o presidente da CRT, Milton Zuanazzi, homem que ela levaria  no governo Lula para a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), fez várias viagens a Santiago para afivelar o negócio com a CTC, a Companhia Telefônica do Chile, então controlada pela Telefônica de Espanha.
* O negócio não saiu.
* É que o governador Alceu Collares, também do PDT, como Dilma Roussef, já tinha assinado um protocolo intenções com a Stet, na época a estatal telefônica da Itália, mais tarde privatizada e transformada em TIM.
O governo chegou a iniciar negociações com a RBS para interessá-la a se associar à Stet e assumir a CRT, mas o presidente Nelson Sirotsky tinha outros planos e disse ao interlocutor que o procurou, logo após farto almoço que ambos mantiveram  na própria sede do grupo gaúcho (o interlocutor tinha acabado de regressar de Havana, onde verificou de que modo a Stet passara a operar uma fração dos serviços telefônicos locais, por concessão do governo comunista de Fidel Castro):
– Se for para comprar a CRT, eu compro sozinho e não preciso dos italianos — disse Sirotski.
Ao bater de frente com o próprio governador Alceu Collares, Dilma Roussef e o presidente da CRT pagaram caro pela ousadia. Zuanazzi foi demitido com desonra da CRT.
* O negócio que o governo pensava tocar com a Stet era complicado, envolvia emissão de debêntures conversíveis em ações e acordo de acionistas, porque a Lei de Privatizações ainda não tinha sido editada, o que só aconteceu no governo FHC [195-2003].
* Terminado o governo, Dilma Roussef, de posse de toda a memória das negociações com a Telefônica de Espanha, via CTC, mais informações privilegiadas sobre a CRT, foi trabalhar para a RBS, a convite do então diretor Jurídico, Afonso Motta (deputado federal eleito pelo PDT em 2010).
Motta, brilhante advogado, era do PDT como Dilma Roussef. Nem uma só vírgula de qualquer contrato ou acordo da RBS saía do grupo sem o seu aval.

* A ex-secretária de Minas e Energia foi ajudar na área de Projetos Especiais da RBS. Um deles, o mais ambicioso e brilhante, foi o que levou ao acordo com a Telefônica de Espanha. Nelsinho, o dono da RBS, e Juan Villalonga, no dia 16 de dezembro de 1996, dois anos depois do final do governo do PDT, venceram o leilão de privatização da CRT.
Na data da privatização da CRT, a composição acionária da Telefônica do Brasil era: Telefônica Internacional, 30%; RBS, 30%; e o restante das ações dividido entre a Portugal Telecom, 23%; a Iberdrola (empresa de energia espanhola), 7%; e o Banco Bilbao Vizcaya [espanhol], 7%.
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