“É livre a manifestação do pensamento e da expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, sendo vedado o anonimato. (CF 88).”

7 de nov de 2012

A pandilha e o bate-boca


O julgamento do processo do mensalão foi retomado nesta quarta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com um novo bate-boca entre os magistrados, desta vez entre o relator, Joaquim Barbosa, e o ministro Marco Aurélio Mello. A discussão aconteceu porque Marco Aurélio defendeu a análise anterior feita pelo Supremo de alguns temas como continuidade delitiva e aplicação de um agravante a todos os crimes. Isso poderia, na prática, reduzir a pena aplicada a Marcos Valério até agora, que, somadas, já superaria 40 anos. Barbosa ironizou a tentativa, enquanto o revisor, Ricardo Lewandowski, apoiou Marco Aurélio. O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, porém, disse que o debate ficaria para momento posterior.

O bate-boca aconteceu antes de a sessão completar 10 minutos, mostrando que as quase duas semanas de recesso não foram suficientes para amenizar as divergências em plenário. Marco Aurélio defendia que o Supremo decidisse questões defendidas pela defesa de Valério antes de prosseguir na dosimetria e irritou-se ao ser interrompido por Barbosa, principalmente quando o relator sorria enquanto ele apresentava seus argumentos.

"As coisas são muito sérias, o deboche não cabe", protestou Marco Aurélio. "Escute, para depois me retrucar", prosseguiu. Barbosa manteve o tom irônico: "Eu sei onde Vossa Excelência quer chegar". Marco Aurélio reagiu questionando a postura pública do relator. "Não admito que se suponha que somos todos nós salafrários e só Vossa Excelência seja um vestal".
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 Minha cela, minha vida!

O Supremo deu um basta
na majestosa pandilha,
que andava feito matilha
se achando acima da lei,
protegida pelo " rei "
ficava tudo em família!

Mas desabou o castelo
desses bandidos safados,
falo desses atolados
na lama do mensalão,
saqueadores da Nação
da vergonha deserdados!

Subestimaram a força
dos homens de capa preta,
que não usam baioneta
mas não temem camarilha,
pois desmontaram a quadrilha

Somente usando caneta
o brilhante Joaquim Barbosa,
ministro de fundamento,
homem de conhecimento
e do mais notável saber,
não precisa nem dizer
que é o grande herói do momento.

Liderou toda uma equipe
com firmeza e maestria,
nessa nobre cirurgia
feita na quadrilha inteira,
pra estancar a roubalheira
que há muito se promovia.

Mas parte da nossa imprensa,
covarde, não fala nada... ,
pois vem de longe comprada
por verbas publicitárias,
propagandas milionárias
para se manter calada.

O que me tapa de nojo
nesse covil de falsários,
é ouvir os comentários
de bandidos condenados,
se dizendo "injustiçados:"

Mas que bando de ordinários!

Que a máfia não se preocupe
com a chuva, sol ou com vento,
pois não vai ficar ao relento...
sem casa, cama e comida,
pois ela será incluída
num eficiente programa,
que oficialmente se chama:

" MINHA CELA, MINHA VIDA! "

Autor: Alamir Longo - RS

(recebido por e-mail)


Enquanto isso...

Revisor reclama e pede a relator: ‘não crie frases de efeito’. Depois do bate-boca entre os ministros Joaquim Barbosa e Marco Aurélio Mello na sessão desta quarta-feira, o relator voltou a se desentender na 43ª sessão do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Desta vez, com o revisor Ricardo Lewandowski. O bate-boca foi instigado pela discordância sobre a pena do réu Ramon Hollerbach para o crime de corrupção ativa. Enquanto o relator definiu a pena em cinco anos e 10 meses, além de 180 dias-multa no valor de 10 salários mínimo, o revisor estipulou a punição em dois anos e quatro meses de reclusão e 11 dias-multa no valor de 10 salários mínimo. “Confesso que recebi esse voto (do ministro relator) agora, 30 minutos antes da sessão”, disse Lewandowski a Barbosa, que rebateu dizendo que o revisor poderia distribuir seu voto também. “Eu não sou obrigado a retribuir”, afirmou Lewandowski. “Os eminentes advogados, quando trazem aos autos testemunhos referentes à vida pregressa do réu, precisam ser explicitados”, disse o revisor. “Não, só servem para agravar, eu estou ignorando porque são neutros”, retrucou Barbosa. Lewandowski então demonstrou irritação. “Nós estamos em um julgamento sério, em que a liberadade das pessoas está em jogo. Não vou mais admitir que vossa excelência faça frases de efeito”. O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, mais uma vez interrompeu para acalmar os ânimos e dar continuidade à votação. Desde o primeiro dia do julgamento do mensalão, relator e revisor têm protagonizado diversos bate-bocas no STF. Em quase todas, o presidente Ayres Britto precisou intervir. Leia mais no Terra. E assista os vídeos


Lewandowski rebate Barbosa: estamos em um julgamento sério











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