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9 de jul de 2014

Tragédia é abafada pela lesão de Neymar



Familiares de mortos em BH lamentam tragédia abafada por lesão de Neymar

A Copa do Mundo já acabou em Belo Horizonte. E não há nada que mude essa ideia na cabeça de pelo menos duas famílias na capital mineira. Ainda que estejam diante da semifinal histórica entre Brasil e Alemanha nesta terça-feira, no Mineirão, os parentes de Hanna Cristina dos Santos e Charlys do Nascimento não têm motivos para qualquer festejo. 
A mulher de 25 anos e o homem de 24 foram as duas vítimas fatais do desabamento de um viaduto em construção na última quinta-feira, na região de Venda Nova. 
E não é apenas a morte que incomoda aqueles que ficaram órfãos da tragédia. O esquecimento do poder público e até de parte da mídia menos de uma semana após o desastre tira o sono das famílias de ambos. 
"Não quero dinheiro, sei que ela não volta mais, mas queria um apoio. Não queria que ignorassem isso. A família não merece isso", disse Enderson Eliziano, o ex-marido da motorista do ônibus que passava embaixo do viaduto na hora do desabamento. 
Ele ainda lamentou que a lesão sofrida por Neymar na partida contra a Colômbia, um dia após a tragédia, tenha abafado a repercussão do caso. 
"Só se fala de Neymar, Neymar, Neymar. É complicado que lembrem da nossa dor. E estamos falando de algo muito sério. Sei que a seleção e os jogadores não têm qualquer culpa, mas isso não pode ser esquecido. Ocorreu uma tragédia e praticamente não falam. Infelizmente, a Copa ofusca. Antes [da lesão do Neymar], só falavam disso. Agora simplesmente ignoram. Nada contra os jogadores e o evento em si, mas não pode cair no esquecimento. Só a Copa dá ibope, isso me chateia muito". 
Em uma semana onde até a presidente Dilma Rouseff e o mandatário de Fifa, Joseph Blatter, se pronunciaram sobre a lesão de Neymar, as mortes no viaduto pareceram secundárias. 
"Estamos falando de duas vidas. Nenhuma autoridade me ligou ou se posicionou sobre isso. Queríamos um apoio moral e não tivemos. E nem sei se teremos. Se tivesse a mesma atenção com o viaduto que tiveram com o Neymar, nada disso aconteceria. Hoje, o problema do Brasil é o Neymar. Não pode ser apenas isso", encerrou o marido da motorista que deixou uma filha pequena, de apenas 5 anos. 
Mesmo com toda a paixão de ambos pelo futebol, a tragédia da última semana fez a Copa do Mundo perder o significado para os familiares e passar a ser vista apenas como sinônimo de tristeza. 
"Não temos o que comemorar ou criar qualquer expectativa pelo jogo. A Copa agora nos lembra a tragédia. Não tem como não associar uma coisa à outra. Se não tivesse Copa, essa tragédia não teria ocorrido. Esse é o meu sentimento. A correria ocorreu por conta disso, queriam o viaduto pronto o quanto antes. Uma obra desse tamanho cair é inaceitável, algo primário", desabafou ele, relembrando que a obra era parte da matriz de responsabilidade para o Mundial. E atrasada, só ficaria pronta em 2015. 

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